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A História da Radiologia

A História da Radiologia

A História da Medicina é composta de vários capítulos, recheados de atos de coragem, ousadia, empreendedorismo, mas principalmente de abnegação e amor ao próximo. A ASL orgulha-se de fazer parte, mesmo que seja de um pequeno parágrafo dessa maravilhosa História.

A ASL, através de seu sócio fundador André Scafura, é uma empresa que nasceu com foco inicial na radiologia, e que contribui substancialmente em nosso País para o desenvolvimento dos processos de reconhecimento e armazenamento das imagens DICOM, fornecendo sistemas PACS e RIS há mais de 15 anos.

Quanto a mim, me recordo bem, que no final da década de 80, fui fazer um curso extracurricular para médicos de COBOL (sigla de COmmon Business Oriented Language) na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro); infelizmente, por vários motivos, não consegui dar continuidade ao aprendizado, contudo jamais poderia imaginar que anos depois, no final da década de 90, estaria ajudando a desenvolver um HIS (sistema de informações hospitalar) em uma empresa, que posteriormente seria encampada por uma das gigantes de software do nosso país.

A História da radiologia começa com o físico e engenheiro mecânico alemão Wilhelm Conrad Röntgen, que em 8 de novembro de 1895, produziu e detectou radiação electromagnética nos comprimentos de onda correspondentes aos atualmente chamados raios-X, realizando a primeira radiografia na mão de sua esposa. Desde então, a radiologia vem se desenvolvendo constantemente, se prevalecendo em muito do desenvolvimento tecnológico computacional e da internet.

A telerradiologia foi uma evolução quase que natural, uma vez que está intimamente relacionada à evolução tecnológica. Os primeiros processos de digitalização e compactação de imagens médicas iniciaram-se na década de 70, bem como o advento da internet. Este talvez tenha sido o grande salto de desenvolvimento. A origem da internet remonta a uma pesquisa encomendada pelo governo dos Estados Unidos na década de 1960 para construir uma forma de comunicação robusta e sem falhas através de redes de computadores. Mas somente na década de 80 essa rede foi materializada, o que proporcionou o grande avanço que experimentamos hoje em dia. O primeiro projeto de telerradiologia foi realizado pela NASA (National Aeronautics and Space Administration) na reserva indígena Papago, no Arizona (EUA), onde uma van equipada com um aparelho de raios-X foi conectada à equipe médica do “Public Health Service Hospital”.

Durante a Guerra do Golfo, final do ano de 1990, o médico americano Robert Telepak, enviou por satélite radiografias de 65 soldados feridos no Iraque para serem analisadas em hospitais especializados nos Estados Unidos, a cerca de 19.000 km de distância.  O sistema de envio das imagens usado pelo Dr. Telepak era muito complexo e demonstra as dificuldades tecnológicas daquela época, uma vez que as imagens geradas num tomógrafo computadorizado levavam entre 2 a 6 minutos para serem transmitidas, pois cada ponto esquadrinhado virava um código digital e era transmitido via satélite, sobre o Oceano Índico, até a estação receptora em Perth, na Austrália e daí eram repassados por uma linha de telefone para o hospital no Texas, onde os especialistas avaliavam as imagens e respondiam aos colegas, orientando-os sobre o melhor procedimento a ser seguido no caso em estudo.

A evolução que se seguiu ao longo dos anos, com o melhoramento de computadores, tanto em software quanto em hardware, foi fundamental para a evolução desse segmento da medicina, o que permitiu a utilização comercial da telerradiologia, com redução de custos e consequentemente a melhoria da relação custo-benefício, o que indubitavelmente foi percebido no acompanhamento e tratamento dos pacientes. O número de casos de estudo e de imagens cresceram exponencialmente, havendo então a necessidade de uma comunicação segura e de arquivamento dessas imagens.

Até o final da década de 80, os equipamentos radiológicos consistiam em sistemas isolados que não se conectavam entre si, somente à uma estação de trabalho e à uma impressora dedicada. Entretanto com o desenvolvimento do uso da informação em formato digital apareceu a necessidade de se criar uma estrutura capaz de trocar dados e imagens de forma consistente e automática.

Segundo Paulo Mazzoncini, em resposta a essa necessidade, surgiu o conceito PACS (Picture Archiving and Communication System), que é um sistema de arquivamento e comunicação voltado para o diagnóstico por imagem e que permite o pronto acesso às imagens médicas em formato digital. Esse conceito PACS foi definido por um consórcio integrado pela American National Association of Electric Machines (NEMA), pelo Radiology Society of North America (RSNA) e por um conjunto de empresas e universidades dos Estados Unidos da América. De acordo com essa sistematização, um PACS deve oferecer visualização de imagens em estações de diagnóstico remotas; armazenamento de dados em meios magnéticos ou ópticos para recuperação em curto ou longo prazo; comunicação utilizando redes locais (Local Area Network, LAN) ou expandidas (Wide Area Network, WAN), ou outros serviços públicos de telecomunicação; sistemas com interfaces por modalidade e conexões para serviços de saúde e informações departamentais que ofereçam uma solução integrada para o usuário final.

A estruturação do PACS feita em 1983 pelo consorcio entre a NEMA e RSNA se deu através do padrão de imagem DICOM (Digital Imaging and Communications in Medicine), que é um conjunto de informações referentes ao exame realizado, com normas para tratamento, armazenamento e transmissão de informação médica num formato eletrônico, estruturando um protocolo, com a finalidade de padronizar a formatação das imagens diagnósticas como tomografias, ressonâncias magnéticas, radiografias, ultrassonografias etc. o padrão DICOM permite  que essas informações sejam trocadas entre diferentes equipamentos de diagnóstico por imagens, computadores e hospitais, que antes não eram compatíveis entre si e nem comutáveis entre as várias clinicas, laboratórios e hospitais.

O PACS, em conjunto com os Sistemas de Informação em Radiologia (RIS) e de Informação Hospitalar (HIS), formam a base para um serviço de radiologia sem filmes, como o são as boas instituições que conhecemos hoje em dia, contribuindo para a eficiência, agilidade e interação entre as diversas áreas de saúde, mas sempre voltadas para o bem-estar dos técnicos e médicos envolvidos, além de maior segurança, confiabilidade e precisão nos diagnósticos de nossos pacientes.

Por fim, estamos no limiar de mais uma nova era da medicina, na qual o paciente poderá ser submetido à uma cirurgia estando distante fisicamente do médico cirurgião, através do sistema de tele-robótica.

O primeiro relato do uso de um robô cirurgião assistente ocorreu em 1985, quando o braço cirúrgico robótico PUMA 560 foi usado em uma delicada biópsia neurocirúrgica aberta. Em 1987 foi realizada a primeira colecistectomia laparoscópica e em 1988 a primeira ressecção transuretral por cirurgia robótica. Em 2000, o Sistema de Cirurgia da Vinci abriu novos caminhos tornando-se o primeiro sistema de cirurgia robótica aprovado pelo FDA para cirurgia laparoscópica geral.

Os avanços tecnológicos em tornar os sistemas de cirurgia robótica mais capazes de replicar a sensação tátil e a sensação que um cirurgião experimenta durante procedimentos tradicionais dariam ao cirurgião o melhor dos dois mundos. O cirurgião obteria a precisão e as vantagens de procedimentos minimamente invasivos sem perder as informações sensoriais úteis para fazer o correto julgamento durante a cirurgia robótica.

São 126 anos desde a primeira radiografia realizada por Röntgen até a promissora tele-robótica do Sistema da Vinci. Em todos esses momentos, o espírito humano de desenvolvimento e aperfeiçoamento da arte sempre esteve presente, principalmente para atenuar o sofrimento ou curar o nosso paciente, que no fim, é a nossa missão.

Dr. Maurilio Schiavo
Diretor Médico da ASL Softhouse
maurilio@aslsofthouse.com.br

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